Consuni vota lista tríplice nesta sexta
O Conselho Universitário (Consuni) reúne-se nesta sexta-feira 14, às 14 horas, para escolher a lista tríplice dos nomes aptos a ocupar a reitoria a partir do dia 19 de novembro, após encerramento do mandato do professor José Geraldo de Sousa, de acordo com a Resolução 009 de 1º de junho. O documento será enviado à presidente Dilma Rousseff, que terá os próximos dois meses para se pronunciar.
Os procedimentos a serem seguidos na reunião obedecerão à Lei 5.540, de l968, com a redação dada pela Lei 9.192, de 1995. A decisão do Consuni será desvinculada do resultado da consulta realizada junto à comunidade acadêmica nos últimos 20 dias. O nome mais votado foi o do professor Ivan Camargo, seguido de Márcia Abrahão e Volnei Garrafa, em consulta que teve peso paritário dos votos dos professores, servidores técnicos e estudantes, organizada pelas entidades representativas das três categorias.
“Vou orientar o debate no sentido de manter a expectativa de encaminhamento da lista ao governo, conforme diretriz do Ministério da Educação 437 de 2011”, afirmou José Geraldo. A diretriz estabelece que o sistema de votação é uninominal e em escrutínio único. Cada conselheiro votará em um só candidato, o mesmo modelo adotado por ocasião da eleição do reitor José Geraldo em 2008.
Ivan Camargo vence consulta da comunidade acadêmica

Ana Lúcia Moura, Leonardo Echeverria e Diogo Lopes de Oliveira
Da Secretaria de Comunicação da UnB
Ivan Camargo foi escolhido reitor da Universidade de Brasília em consulta organizada pela comunidade acadêmica. O professor da Faculdade de Tecnologia venceu a disputa com 51,49% dos votos proporcionais de professores, técnicos e estudantes. Márcia Abrahão, docente do Instituto de Geociências, ficou com 46,42% dos votos. Houve 2,08% de votos brancos e nulos. O número oficial de votantes foi de 12.562.
O Conselho Universitário, instância máxima da instituição, se reúne às 14h30 desta sexta-feira, 14 de setembro, para elaborar a lista tríplice que será encaminhada à presidente Dilma Rousseff, a quem cabe a escolha do reitor. Caso os conselheiros mantenham o resultado das urnas, apontando Ivan Camargo como o primeiro da lista, tradicionalmente o indicado pela Presidência da República, o professor vai dirigir a Universidade de Brasília pelos próximos quatro anos, ao lado de Sônia Báo, diretora licenciada do Instituto de Ciências Biológicas. Será o primeiro reitor formado na própria UnB e iniciará seu mandato no ano em que a instituição completa 50 anos de fundação.

A diferença dos votos proporcionais dos três segmentos entre os dois candidatos foi pequena. Ivan Camargo obteve 11.290 contra 10.180 de Márcia Abrahão. Em números absolutos, ou seja, sem o cálculo da paridade, Ivan conquistou 1.051 votos de docentes, 815 de técnicos e 4.457 de alunos. Márcia obteve 732 votos de professores, 956 de funcionários e 4.382 de estudantes.
Ivan Camargo venceu entre professores e alunos. Mais da metade dos 1.828 docentes que foram às urnas votou no professor, engenheiro elétrico: 57,4%. Márcia Abrahão obteve o voto de 40% dos professores. Em números absolutos, a diferença é de 319 votos. Entre os estudantes, no entanto, a diferença de votos entre os dois candidatos é inferior a 1%.

Márcia saiu vitoriosa entre os técnicos. Levou os votos de 52,8% dos 1.809 funcionários com votos validados. Ivan ficou com 45%. “Desde a primeira parcial percebemos que os números não coincidiam com a nossa avaliação. Precisávamos de uma margem maior entre estudantes e técnicos para compensar entre os professores”, comentou Alexandre Bernardino, professor da Faculdade de Direito e coordenador da campanha de Márcia Abrahão.

EMOÇÃO – A comemoração da chapa 86 começou às 14h50, quando os resultados parciais indicavam a vitória de Ivan Camargo. Um grupo de servidores que estava em frente à área de contagem dos votos aplaudia efusivamente o candidato. Do outro lado do Centro Comunitário, Ivan permaneceu quieto. Cinco minutos depois, às 14h55, cedeu à emoção e abraçou sua vice, Sônia Báo. Logo, foi cercado por apoiadores, que o cumprimentavam pela vitória. Visivelmente emocionado, e contendo o choro, falava baixinho: “Obrigado, gente, muito obrigado”. Sônia Báo chegou a ser erguida pelos apoiadores, todos emocionados com o resultado.

Às 15h02, Márcia Abrahão e Marcelo Bizerril, candidatos da chapa 80, deixaram a área próxima à contagem de votos e cumprimentaram Ivan pela vitória. Abraçados, posaram para fotos. Minutos depois, apoiadores da chapa vencedora estouraram uma garrafa de espumante. O professor Alessandro Borges, da Comissão Organizadora da Consulta (COC), pediu que a comemoração fosse contida. “Ainda estamos fazendo a contagem final dos votos”, pediu ao microfone.

Às 15h10, Ivan Camargo deu a primeira entrevista como reitor eleito pela comunidade. “Agora temos que trabalhar forte e com dedicação”, disse, ainda tentando conter a emoção. “Tudo o que foi dito sobre respeito e cordialidade durante a campanha tem que ser praticado. Estou feliz e orgulhoso de me tornar o primeiro reitor ex-aluno da UnB”. Afirmou ainda que deve estar presente à reunião do Conselho Universitário que vai elaborar a lista tríplice.
CUMPRIMENTOS – A declaração à imprensa foi interrompida por sucessivos telefonemas e cumprimentos, como os de Denise Bomtempo, Noraí Rocco e Luís Afonso Bermúdez, que disputaram no primeiro turno e apoiaram o candidato no segundo. Um dos primeiros telefonemas foi do reitor José Geraldo de Sousa Junior, que, de seu gabinete, acompanhava o resultado da votação. “Parabéns pela vitória”, cumprimentou. “Desejo força e disposição para consolidar aquilo que foi a retomada de uma crise instalada na instituição e a construir a ponte necessária para integrar uma Universidade dividida entre dois projetos”, disse. Ivan Camargo assegurou que a união é um lema de sua campanha.
Volnei Garrafa e Maria Luíza Ortiz, que disputaram no primeiro turno, também telefonaram para mandar seus cumprimentos. “Ganhei por causa desses apoios todos”, disse Ivan a Maria Luiza. Quando um de seus alunos veio cumprimentá-lo, Ivan comportou-se como um legítimo professor. “Terça-feira nos encontramos para resolver aquela questão, hein?”, disse ao estudante, que precisa melhorar as notas para ser aprovado.

Pouco depois, às 15h32, a professora Gardênia Abbad, diretora do Instituto de Psicologia, ainda chorava abraçada a um aluno, comemorando a vitória da chapa 86. Cinco minutos depois, a COC anunciou que Ivan havia sido o mais votado entre os estudantes. Os jovens do grupo Aliança pela Liberdade, que apoiaram Ivan, fizeram uma roda e comemoraram. A poucos metros, os apoiadores de Márcia Abrahão a cercaram a aplaudiram o trabalho feito na campanha.
Às 15h50, a COC anunciou o resultado final. “A lista tríplice que será recomendada ao Consuni será a seguinte: Em primeiro, a chapa 86, Ivan Camargo e Sônia Abrahão; em segundo, a chapa 80, Márcia Abrahão e Marcelo Bizerril; em terceiro, a chapa 89, Volnei Garrafa e Luís Afonso Bermúdez”, comunicou o professor Paulo Celso dos Reis Gomes. “Boa sorte ao novo reitor”, encerrou.
Ivan e Márcia aplaudiram o anúncio. “A Universidade está de parabéns”, comentou a geóloga. “Fizemos uma campanha limpa e respeitosa”, disse. Pouco antes, Márcia Abrahão também foi parabenizada pelo reitor. “Você liderou uma campanha muito qualificada, defendeu um modelo de gestão afinado com uma concepção de universidade que guarda relação com o modelo utópico da UnB”, disse.

DISCURSO – Ocupando o palco principal do Centro Comunitário, Ivan Camargo e Sônia Báo fizeram seu primeiro discurso à comunidade como reitor e vice-reitora escolhidos pela comunidade. “Muitíssimo obrigado, vamos trabalhar juntos”, disse Ivan à plateia de cerca de 50 pessoas, repetindo, em seguida, os principais pontos de seu programa. “Vamos colocar a UnB nos trilhos, com foco no estudante, em formar bem. Gostaria de agradecer muito à minha companheira de batalha, essa guerreira aqui ao meu lado”, completou. “Obrigada pelo aprendizado”, agradeceu a vice na chapa.
José Geraldo, que deixa o cargo em 18 de novembro, quando o novo reitor assume, avaliou como positivo o processo da consulta. “O resultado traduz uma opção que a comunidade fez sobre um projeto universitário e um projeto de sociedade. Minha expectativa é que aqueles valores que marcaram a concepção inicial da UnB sejam preservados e confio que o novo dirigente saberá preservar. Almejo que os desafios atuais sejam bem enfrentados no aspecto político, no aspecto institucional e na consolidação tanto do projeto democrático quanto acadêmico”, disse.
Ivan Camargo começa a preparar a equipe de transição na segunda-feira, após a reunião do Conselho Universitário. Ele e Sônia devem comandar pessoalmente os trabalhos juntos com o vice-reitor João Batista de Sousa, que coordenará a equipe de transição, conforme anunciado pelo reitor José Geraldo de Sousa Junior.
Votação registra 44% de aumento de participação na consulta para reitor

Grace Perpetuo
Da Secretaria de Comunicação da UnB
O segundo turno da consulta para reitor da UnB registrou um aumento de 44% na participação da comunidade em relação ao primeiro turno. Estimativas da Comissão Organizadora da Consulta (COC) indicam que 12.554 pessoas foram às urnas nos últimos dois dias: 8.909 estudantes (26% do total), 1.833 professores (83%) e 1.812 servidores técnico-administrativos (67%).
No primeiro turno, o total de votantes foi de 8.709. O maior crescimento ocorreu entre os estudantes, com 60% de votos a mais em relação ao primeiro turno. Entre os servidores e professores, esse aumento foi de 23% e 8%, respectivamente. A votação também superou a consulta realizada em 2008. Naquele ano, o segundo turno da escolha do reitor levou 10.636 pessoas às urnas. Ressalte-se que o número de docentes, técnicos e alunos é bem maior hoje do que há quatro anos. Além da contratação de 900 novos professores e 550 servidores, o número de vagas no vestibular mais que dobrou de lá para cá, passando de 4 mil para 8 mil por ano.
O resultado foi divulgado pela COC pouco após as 22h dessa quarta-feira, encerrando o segundo turno do processo organizado pelas entidades que representam os três segmentos da UnB: Associação de Docentes (ADUnB), Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e Diretório Central dos Estudantes (DCE). A apuração final será realizada nesta quinta-feira, 13.
“A consulta foi muito mais tranquila do que poderíamos imaginar”, disse André Ribeiro, estudante de Direito e representante da DCE na Comissão. “Eu acho que isso se deve ao trabalho de prevenção que a COC realizou quanto a demarcar a boca-de-urna: as chapas se respeitaram nesse processo”, reiterou, acrescentando que espera uma apuração bastante célere na quinta-feira. “Agora já estamos com todo o know-how necessário”, afirmou.
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Votação termina com tranquilidade nos quatro campi

Diogo Lopes de Oliveira e Grace Perpétuo
Da Secretaria de Comunicação da UnB
A votação da comunidade para escolher o reitor da UnB terminou nessa quarta-feira, confirmando a segurança e a tranquilidade que se observou durante todo o processo, iniciado em agosto. No Minhocão, estudantes, professores e servidores compareceram às urnas das 9h às 21h, sempre sob o olhar atento dos fiscais das chapas concorrentes. “Apesar da divisão marcante que existe na universidade do ponto de vista ideológico, o pleito ocorre com grande civilidade, com respeito às regras e com um bom comparecimento às urnas”, avaliou o professor do Instituto de Ciência Política Nielsen de Paula Pires, que atuou no ICC Sul como fiscal da chapa 80, da candidata Márcia Abrahão. “A militância está muito amistosa dos dois lados, e acho que tivemos um segundo turno mais sereno do que o primeiro”, disse a diretora do Instituto de Psicologia (IP), Gardênia Abbad, que atuou como fiscal de Ivan Camargo.
O estudante Lucas Brito, do Serviço Social – um dos manifestantes do grupo “Há quem sambe diferente”, que movimentou o ICC Norte no dia anterior com a exibição de um filme com cenas da ocupação da Reitoria em 2008 – se disse também satisfeito com o desenrolar do processo. “Qualquer que seja o resultado, estou confiante, porque houve um crescimento na movimentação de estudantes que apoiam criticamente seus candidatos”, disse. Ainda assim, ele fez ressalvas à consulta: “O processo foi ameaçado pela greve. Há muita gente nova na universidade, que não teve oportunidade de se informar, porque não houve muita discussão e os debates foram fracos”, criticou.

A professora Denise Bomtempo, ex-candidata e agora apoiadora da chapa 86, concorda que o processo tem de ser repensado. “Acho que a participação poderia ser melhor. Eu esperava que houvesse uma votação extraordinária, mas o campus está bastante parado”, observou. Para a professora, o processo tem de ser repensado depois, livre das pressões que o momento pressupõe. “O sistema é democrático, paritário e importante, mas temos de refletir: que a consulta, democrática em seus parâmetros, seja antes de tudo acadêmica, porque a universidade merece isso”, disse.
PRIMEIRA VEZ – Em meio ao barulho festivo de um grupo de estudantes de Artes Cênicas e Música que percorria os corredores do Minhocão para arregimentar adesões, a caloura de Gestão do Agronegócio Tainara Holanda celebrava seu primeiro voto: “Estou ciente da importância desse processo”, disse.

Na UnB Gama, que contou com a maior taxa de participação de estudantes entre os novos campi no primeiro turno, mais uma vez surpreendeu. “O número de estudantes que veio aqui ontem (11) foi praticamente o mesmo que nos dois dias do primeiro turno”, avaliou a mesária Leda Costa. Cerca de 490 alunos votaram até a metade da tarde dessa quarta. Ao todo, 1.496 alunos estudam na FGA.
Luiza Schaidt é estudante de Engenharia de Software na UnB Gama. Indecisa sobre seu voto, ela disse que não assistiu aos debates, mas estava decidida a exercer seu direito. “Por causa da greve, não tivemos tempo de conhecer melhor as propostas. Além disso, acumulamos provas e materiais de estudo durante esse período. Isso impossibilitou que pudéssemos ouvir os candidatos e entender as propostas”, justificou.

Na UnB Ceilândia, a diretora estava entusiasmada com a participação da comunidade do campus. “A Ceilândia possui uma história de luta desde sua fundação. Esse espírito permanece nos estudantes, que compareceram em excelente número para se posicionar nessa consulta”, disse. Até o início da tarde, 30% dos estudantes da FCE havia comparecido às urnas entre quarta e quinta-feira. Apoiadora da chapa “O Amanhã Fazemos Juntos” de Márcia Abrahão, Diana estava acompanhada de Sébastien Charneau, professor de Biologia da FCE e defensor da candidatura de Ivan Camargo, da chapa “UnB Somos Nós”. “O clima durante a votação, tanto ontem quanto hoje, está muito bom. Nossos alunos prezam pelo diálogo e discussões pacíficas”, afirmou Sébastien.
PLANALTINA – Na UnB Planaltina, praticamente não havia pessoas circulando nas áreas próximas à seção eleitoral. Apenas um grupo de professores terminava o seu almoço e seis alunos do curso de Gestão do Agronegócio jogavam cartas na mesa ao lado. O ambiente vazio não refletia o comparecimento na votação para a Reitoria. Todos os alunos que aproveitavam o momento de pausa nos estudos já haviam exercido o direito devoto, até a tarde dessa quarta-feira. O mesmo fizeram 32% do total de estudantes da FUP.

O grupo disse ter participado ativamente da campanha nas redes sociais. Nesta quinta-feira, 13, continuarão a aproveitar as facilidades da tecnologia: os seis acompanharão a apuração via Twitter e Facebook. “Temos aula amanhã. Fica muito difícil para nós irmos até o campus Darcy Ribeiro”, justificou Karen Santos. “Temos orgulho de dizer que a FUP é um dos centros com maior participação na consulta”, disse Jean-Louis Guérroué, diretor da FUP. Ele estima que 95% dos professores e o mesmo percentual de técnicos deve votar até o final desta quarta. “Mesmo entre os estudantes, que são um contingente maior, mas com menor participação, devemos chegar a 40%”, avaliou. “Isso indica uma consciência crítica, política e cidadã da comunidade”.
André Ribeiro, estudante de Direito e membro da Comissão Organizadora da Consulta (COC), considerou muito positiva a participação dos campi avançados. “As comunidades universitárias dos novos campi estão passando por um processo de afirmação, como se quisessem dizer ‘eu sou dessa universidade, eu me importo e quero participar dela’”, observou, acrescentando que “essa participação intensa nas urnas serve para mostrar que eles já são UnB”.
Movimento nas urnas deve esquentar no segundo dia

Diogo Lopes de Oliveira
Da Secretaria de Comunicação da UnB
O clima de cordialidade prevaleceu entre os apoiadores das duas chapas na votação desta terça-feira, 11 de setembro, primeiro dia do segundo turno da consulta da comunidade acadêmica para escolha do novo reitor. Um bom exemplo foi dado pelos estudantes de Ciência Política Matheus Leone e Rodrigo Dias: o primeiro cursa o 2º semestre e apoia Ivan Camargo; o segundo, do sétimo período, prefere Márcia Abrahão. Há um ano são amigos, mas durante a campanha escolheram lados opostos. “Nosso curso tem essa característica: temos contato com colegas de todos os semestres e travamos embates políticos saudáveis”, disse o veterano. “As diferenças ideológicas não interferem em nossa convivência diária”, assegurou o mais jovem.

Rodrigo defende Márcia Abrahão por acreditar no projeto de gestão da candidata e de seu vice, Marcelo Bizerril. “À frente do Decanato de Ensino de Graduação e da UnB Planaltina, eles mostraram que respeitam as instâncias democráticas e são capazes de estabelecer laços com a sociedade ao valorizar a extensão”, analisou o estudante. O amigo Matheus confia nas prioridades divulgadas por Ivan Camargo, que promete trabalhar uma universidade voltada à excelência acadêmica. “Hoje há pouco diálogo na UnB. Há uma espécie de sectarismo. Acredito que Ivan fará da UnB um lugar mais unido, sem se preocupar com ideologias”, disse Matheus.

O mesmo sentimento foi constatado entre os professores. Adriana Amado e Roberto Ellery são coordenadores de graduação e de pós-graduação do Departamento de Economia, respectivamente, e trabalham juntos há mais de dez anos. Ambos conversavam, na tarde desta terça-feira, na entrada do ICC Norte, cada um com seu boton. “Nosso trabalho é construir um departamento forte e uma UnB robusta. Para isso, precisamos de diálogo e pluralidade. Pessoas que pensam de forma exatamente igual não avançam”, comentou a professora, defensora da candidatura de Márcia Abrahão. “Depois de amanhã não haverá duas chapas, mas uma só UnB”, disse Roberto, que vota em Ivan Camargo.

MEDICINA – No Hospital Universitário (HUB) a votação teve início pontualmente às 7h. Segundo a mesária Teresinha Carvalho, que também esteve ali no primeiro turno, o número de votantes nas primeiras quatro horas foi semelhante ao da primeira etapa do processo da consulta. “Cerca de 80 pessoas votaram até 11h. Esse número é parecido com o do primeiro turno, mas o contingente de técnicos e residentes é de quase mil pessoas. Muita gente ainda vai passar por aqui”, disse. De acordo com mesários e fiscais das duas chapas, o maior fluxo de votantes no HUB acontece entre as 19h e as 20h, quando ocorre mudança de turno.

Apressado, o estudante de mestrado em Medicina Tropical Oscar Lapouble votou sem sequer tirar o capacete que usa ao conduzir sua bicicleta. Na Faculdade de Medicina, Oscar disse que não votou no primeiro turno porque estava em viagem de trabalho, mas fez questão de depositar seu voto nessa terça-feira, por volta das 11h15. Contrário à realização do primeiro turno durante a greve de professores, servidores e estudantes, ele acredita que a participação dos alunos será maior nesse segundo turno. “Os estudantes têm de comparecer para poder cobrar depois”, incentivou.
André Sousa Justiniano Ribeiro, representante do Diretório Central dos Estudantes na Comissão Organizadora da Consulta (COC), reforçou pedido para que a comunidade acadêmica ajude a fiscalizar o segundo dia de votação, que promete movimentar intensamente a quarta-feira. “Precisamos que todos fiquem atentos à colocação de cartazes – eles não podem ser afixados em paredes ou pilastras – e à presença obrigatória dos candidatos nas passagens pelas salas de aula: se eles não estiverem presentes, os militantes não podem fazer campanha”, exortou. “A gente pede que as pessoas tenham bom senso. Afinal, estamos numa universidade.”

ONDE VOTAR – A Comissão Organizadora da Consulta disponibilizou três listas para orientar a comunidade sobre os locais de votação. A primeira permite pesquisar o local de votação por matrícula nos três segmentos: estudantes, professores e técnicos. Veja aqui. A segunda mostra onde as urnas estão localizadas de acordo com o curso onde o aluno está matriculado. Veja aqui. Já a terceira lista é de técnicos-administrativos e professores por local de lotação. Veja aqui.
Quase 7 mil votantes comparecem no primeiro dia da consulta para reitor

Diogo Lopes de Oliveira e Grace Perpetuo
Da Secretaria de Comunicação da UnB
A consulta para escolha do próximo reitor da Universidade de Brasília se aproxima do final com números que atestam forte crescimento da participação da comunidade. Nesta terça-feira, 11 de setembro, primeiro dia de votação do segundo turno, 6.939 pessoas foram às urnas: 4.649 estudantes, 1.157 professores e 1.133 servidores técnico-administrativos. O número de votantes representa mais de dois terços (75,81%) do comparecimento total do primeiro turno – 9.152 pessoas.
O resultado foi divulgado pela Comissão Organizadora da Consulta (COC) às 22h, e encerrou o primeiro dia do segundo turno do processo organizado pelas entidades que representam os três segmentos da Universidade: Associação de Docentes (ADUnB), Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e Diretório Central dos Estudantes (DCE). O segundo turno da consulta acadêmica termina nesta quarta-feira 12. “Nossa avaliação é extremamente positiva”, disse André Sousa Justiniano Ribeiro, estudante de Direito e representante da DCE na COC, observando que “o número de estudantes que foram às urnas cresceu consideravelmente em relação ao primeiro dia do primeiro turno”. De fato, votaram hoje 80,3% dos estudantes que votaram durante todo o primeiro turno.
A votação começa nesta quarta-feira, às 9h, e vai até as 21h em 15 das 20 seções distribuídas pela Comissão Organizadora da Consulta (COC). No Hospital Universitário e na Faculdade de Educação, a abertura é às 7h, com encerramento também às 21h. Já na Prefeitura, Reitoria e Faculdade de Educação Física, localizados no campus Darcy Ribeiro, e nos campi de Ceilândia e Gama, a jornada será das 9h às 19h.
A apuração dos votos será feita no Centro Comunitário Athos Bulcão nesta quinta-feira 13, a partir das 9h, tal como ocorreu no primeiro turno. No dia seguinte, o Conselho Universitário (Consuni), instância máxima deliberativa da UnB formada por 70% de professores, 15% de técnicos e 15% de estudantes, se reúne para definir a lista tríplice que será encaminhada à presidente Dilma Rousseff, que tem a prerrogativa da escolha. O resultado da consulta acadêmica vai subsidiar a elaboração do documento. A presidente tem 60 dias para indicar o nome do futuro dirigente da UnB, que assumirá no dia 18 de novembro.
O DIA – Os dois candidatos, Ivan Camargo e Márcia Abrahão, votaram na Faculdade de Tecnologia e na entrada do ICC Sul, respectivamente, e revelaram confiança na vitória. O reitor José Geraldo de Sousa Junior votou no começo da tarde, na Faculdade de Estudos Sociais Aplicados (FA). Disse que espera da próxima gestão a defesa do ideário político-filosófico do projeto original da UnB.
Alguns incidentes marcaram o dia de votação. Um deles envolveu alunos de Economia, Contabilidade e Administração. “Cerca de 50 estudantes foram votar na FA, como no primeiro turno, mas a sua seção correta passou a ser o Pavilhão Anísio Teixeira, o que causou um certo transtorno”, admitiu André Justiniano, explicando que a mudança ocorreu porque o registro de calouros de alguns cursos está sendo realizado na FA.
Outro, mais expressivo, envolveu estudantes do grupo “Há quem sambe diferente”, que exibiu cenas da ocupação da Reitoria, em 2008, em uma área próxima à seção eleitoral da Ala Norte do Instituto Central de Ciências (ICC). Apesar dos pedidos da COC, durante duas horas os estudantes se recusaram a deixar o local, alegando que não representavam nenhuma chapa e que faziam críticas às duas candidaturas. O impasse foi solucionado pela Prefeitura do Campus Darcy Ribeiro e os alunos interromperam a exibição do filme.
Um grupo de professores do Departamento de Planejamento e Administração (PAD) da Faculdade de Educação (FE) também enfrentou dificuldades. “Quando chegamos para votar, não havia o nome de nenhum dos 18 docentes do PAD na lista”, disse a vice-chefe do Departamento, professora Maria Zélia Borba Rocha. Ela explicou que, depois de conversarem com os mesários, alguns docentes decidiram votar em separado na ADUnB.
Outros três professores votaram na Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia (FACE), para onde a lista de docentes do PAD fora erroneamente alocada. Por volta das 14h, o grupo conseguiu que a COC levasse a listagem para o departamento, na FE.
Márcia Abrahão diz ter “a melhor expectativa possível”

Débora Cronemberger
Da Secretaria de Comunicação da UnB
Candidata pela chapa 80, o Amanhã Fazemos Juntos, a professora Márcia Abrahão votou no início da tarde na seção do Instituto Central de Ciências Sul, após passar a manhã no campus de Ceilândia. Ao avistá-la, um de seus apoiadores a saudou com empolgação: “A primeira reitora da UnB!”, disse. Sorridente e com uma camiseta exibindo o número e símbolo de sua candidatura, a candidata foi logo cercada de apoiadores que a conduziram até a urna.
Após votar, Márcia Abrahão definiu com apoiadores o percurso que seguiria no restante no dia. “Agora é correr atrás de voto. Vou andar na companhia de estudantes”, afirmou, ao lado de Márcio Buzar, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, um de seus apoiadores. “Até agora vi bastante movimento e minha expectativa é a melhor possível”, comentou.
Márcia Abrahão lembrou que a consulta acadêmica é exemplo de democracia e criticou “mudanças inesperadas” anunciadas pela Comissão Organizadora de Consulta (COC) em locais de votação no segundo. Leia mais aqui.
Reitor espera que valores originários da UnB sejam mantidos

Luciana Barreto
Da Secretaria de Comunicação
De modo simples e cordial, o reitor José Geraldo de Sousa Júnior chegou às 14h30 a seu local de votação, na Faculdade de Estudos Sociais Aplicados (FA), unidade em que integra o quadro docente do curso de Direito. Após cumprimentar mesários, fiscais, além de funcionários, professores e alunos, incluindo os calouros que ali se encontravam para o registro de matrícula, dirigiu-se às urnas para confiar seu voto, torcendo para que a próxima gestão seja afinada com o seu “ideário político-filosófico de universidade”.
Segundo sua avaliação, “são candidaturas bem definidas em projetos que se apresentam bem distintos, o que traduz visões-sínteses antagônicas em suas visões de mundo, sociedade e universidade”. Para José Geraldo, o mais importante nesse momento sucessório é que “não se percam os valores originários que fundaram a UnB, instância que ultrapassa a esperada eficiência de gestão e a necessária atenção aos meios funcionais. Isso seria o mesmo que construir um navio e não se importar com o leme e o destino”.
Ivan Camargo declara confiança em vitória

Débora Cronemberger
Da Secretaria de Comunicação da UnB
“Estou muito confiante!” Foi dessa forma que o professor Ivan Camargo traduziu sua expectativa em relação ao segundo turno da consulta acadêmica que se realiza até essa quarta-feira, 12, para a escolha do próximo reitor da Universidade de Brasília. Acompanhado da esposa, Gisele, e da candidata a vice, Sônia Báo, o professor votou no fim da manhã dessa terça-feira, 11, na Faculdade de Tecnologia, uma das maiores unidades acadêmicas da UnB.
Nesse horário a seção eleitoral da FT estava tranquila, sem filas. O grupo presente no local era formado por apoiadores de Ivan, como os professores Jaime Santana e Francisco Aragão, do Instituto de Ciências Biológicas, Humberto Abdala e Marco Muniz, da FT – onde Ivan integra o quadro docente da Engenharia Elétrica.
Antes de votar, Ivan visitou a Faculdade UnB Gama, especializada em cursos de engenharia. “O Gama é especial para mim; tenho ex-alunos que são professores lá. Visitar lugares assim energiza os candidatos”, disse Ivan. “O resto do dia vai ser tranquilo. Vou andar pela Universidade”, afirmou o professor, que pretende acompanhar a apuração dos votos, na quinta-feira, 13, no Centro Comunitário.
Candidatos apostam em diferença pequena entre os votos
Débora Cronemberger, Diogo Lopes de Oliveira e Luciana Barreto
Da Secretaria de Comunicação da UnB
No último dia de campanha antes do início da votação em segundo turno da consulta organizada pela comunidade acadêmica para escolha do novo reitor, Márcia Abrahão e Ivan Camargo iniciaram as agendas de campanhas antes das 8h, concentraram as atividades no campus Darcy Ribeiro e dividiram o dia entre reuniões com apoiadores, visitas às unidades acadêmicas consideradas estratégicas e corpo a corpo com os eleitores em áreas de grande movimentação da Universidade de Brasília, como o Restaurante Universitário e os corredores do Instituto Central de Ciências.
Seguidos por uma comitiva de apoiadores, reafirmavam a cada unidade acadêmica percorrida e diálogos travados a convicção que prevalece desde o primeiro turno de que a comunidade está dividida. “Estou confiante, mas será uma decisão apertada”, ponderou Ivan Camargo, professor da Faculdade de Tecnologia. “Todos os votos e todos os apoiadores são importantes nesse momento”, disse Márcia Abrahão, docente do Instituto de Geociências. Nos últimos dias, as duas chapas intensificaram as agendas e percorreram vários pontos do campus debatendo propostas e conversando com a comunidade.

A jornada desta segunda-feira, 10 de setembro, começou cedo. Às 7h, Márcia já estava no Instituto de Geociências, onde se formou, dá aulas e realiza pesquisas. Lá, confraternizou com apoiadores em um café da manhã. A agenda de Ivan também começou cedo. Antes das 8h, o candidato já distribuía panfletos na entrada do ICC Norte. Passou, em seguida, pelo Hospital Universitário.

Após o café a manhã no Instituto de Geociências, Márcia Abrahão seguiu para o prédio da Reitoria. Percorreu salas com panfletos em punho e conversou com servidores técnicos. Sônia Báo, candidata à vice na chapa da Ivan Camargo fez o mesmo no início da tarde, após passar a manhã no campus de Ceilândia conversando com alunos, professores e técnicos. Acompanhada da servidora técnica Ygraine Hartmann e apoiadora da candidatura, percorreu decanatos e outras unidades administrativas localizadas no prédio destinado à Administração Central.
Um dos pontos do campus onde os funcionários estão mais concentrados numericamente, o edifício é considerado uma área estratégica para ambos os candidatos. Márcia foi mais votada entre os técnicos que Ivan no primeiro turno. A campeã de votos no segmento foi Denise Bomtempo, ex-decana de Pesquisa e Pós-Graduação, quarta colocada na disputa, que apóia a candidatura do professor da Faculdade de Tecnologia.
A Reitoria não foi o único ponto onde as agendas dos candidatos convergiram. Ainda pela manhã, ambos reforçaram a campanha no Instituto de Ciências Exatas, no Centro de Informática e no Restaurante Universitário. “Não me sinto cansada, porque é maravilhoso discutir a universidade”, comentou. “Estou animado, embora há três meses sem dormir”, contou Ivan Camargo com bom humor.


Na parte da tarde, os candidatos também tiveram agendas coincidentes. Conversaram, alternadamente, com professores e técnicos do Instituto de Letras e da Faculdade de Educação Física em horários e espaços reservados pelos dirigentes das unidades acadêmicas.

Márcia esteve no Instituto de Letras para falar das principais necessidades de gestão na UnB. Para ela, apesar de ter avançado em seus programas de graduação e pós-graduação, a Universidade não estava preparada para a expansão, já que a estrutura administrativa não se modernizou ao longo dos anos. “O ICC está sem reforma há 40 anos”, lembrou.
Mais tarde, no mesmo local, Ivan Camargo disse que, apesar de ser engenheiro, reconhece o papel preponderante das áreas humanas na UnB. “Precisamos recuperar a vanguarda cultural da cidade”, afirmou. Para isso, Ivan firmou compromisso em ser pragmático na gestão. “A universidade não está funcionando”, disse. Na Faculdade de Educação Física, os dois lembraram os momentos que lá viveram quando eram alunos: Márcia, como jogadora de vôlei; Ivan, no futsal.
Os candidatos a vice também reforçaram a campanha na reta final. Das 9h ao meio-dia, Marcelo Bizerril, que disputa ao lado de Márcia, percorreu mais de 15 salas de aula no Minhocão e nos pavilhões Anísio Teixeira e João Calmon. “Fizemos um bom trabalho. Nosso desempenho nos debates foi excelente e a campanha foi limpa e construtiva”, comentou enquanto almoçava no Restaurante Universitário ao lado da esposa. Sônia Báo passou a manhã conversando com professores, alunos e técnicos da UnB Ceilândia. “Estamos conseguindo conversar e todos têm nos recebido muito bem”, disse a professora.
ELOGIOS – Nas andanças pelo campus, os candidatos ouviram vários elogios de seus apoiadores. “Conheci Ivan quando fui coordenador de Licenciatura em 2003 e ele era decano de Ensino e Graduação. Acho que ninguém tem mais condições de administrar a Universidade do que ele”, afirmou Paulo Suarez, do Instituto de Química, unidade onde Ivan Camargo também esteve pela manhã. Gustavo Lins Ribeiro, professor do Departamento de Antropologia e candidato no primeiro turno, ressaltou a competência de Márcia. “Não apenas confio no mérito e na excelência acadêmica da colega, como gostaria muito de ver uma mulher como a primeira reitora da UnB”, disse.

Márcia Abrahão encerrou de modo confiante e entusiasmado o dia de campanha, ao lado dos ex-candidatos, e agora apoiadores, Gustavo Lins Ribeiro, Paulo César Marques e Sadi Dal Rosso. Ela ressaltou que seu grupo defende uma universidade integradora, inclusiva e democrática. “Não admitimos retrocesso e clientelismo. Queremos uma universidade que olha para o amanhã, para o que fazemos juntos, respeitando a complexidade da sociedade e seu próprio passado, mas sem querer voltar a um passado retrógrado e sombrio”, afirmou.

Ao avaliar o processo eleitoral, Ivan disse que conseguiu algo muito importante no segundo turno: o apoio dos candidatos que ficaram em terceiro e quarto lugar no primeiro turno, professores Volnei Garrafa e Denise Bomtempo, respectivamente. “A união é uma palavra-chave para nós. União, inclusive, com a chapa adversária. Insisti muito com a professora Márcia para terminar esse processo eleitoral sem agressão, até porque no dia seguinte à eleição estaremos no mesmo barco, que é a universidade, e tendo de rumar na mesma direção”, disse o candidato.
