Candidatos se comprometem a melhorar segurança da universidade
Hugo Costa
Da Secretaria de Comunicação da UnB
A preocupação com a segurança na UnB foi o principal tema do último debate entre os candidatos que disputam a Reitoria. Apesar das ocorrências registradas terem diminuído 26% nos últimos quatro anos, professores, alunos e servidores manifestam grande preocupação com crimes ocorridos dentro e nos arredores da universidade.
Os números da Prefeitura do Campus mostram que, entre os anos de 2007 e 2011, houve 965 ações de bandidos na UnB. Mais da metade dos casos (488) é referente a furtos em interior de veículos. No período, foram notificados 195 crimes ao patrimônio da instituição. Ocorrências como assaltos e atentados violentos são mais raras, 25 nos últimos cinco anos, mas ainda assim a comunidade pede mais ações de vigilância e prevenção.
Os números da criminalidade alcançaram as marcas mais preocupantes em 2008 e 2009, com 238 registros em cada um dos anos, quase 100 a mais do que em 2007, quando 142 casos foram notificados. Em 2010, o número de ocorrências caiu para 177. Em 2011, foram 173.
Na avaliação de Maria Stela Grossi, professora do Departamento de Sociologia e vice-coordenadora do Núcleo de Segurança sobre Violência e Segurança (Nevis), a UnB está integrada à cidade e não está imune aos problemas dela. Ela explica que o desafio é oferecer segurança sem “enclausurar-se” e se diz favorável a rondas da polícia nos campi para inibir crimes e controlar o trânsito. “Não vejo problema (na presença da polícia) para atividades de pacificação”, afirma ela, que aponta falhas estruturais do campus como facilitadoras para ações criminosas. “Precisamos de esforços para acabar com problemas da má iluminação e diminuir os espaços desertificados”.
O contingente de vigilância especializada é de 170 seguranças, que dispõem de seis viaturas e câmeras de vídeo para monitorar todos os prédios dos quatro campi e das demais unidades da UnB. O prefeito do campus, Francisco Cassiano Sobrinho, reconhece as deficiências e diz que a universidade também precisa melhorar a comunicação com a polícia. “É preciso estabelecer um sistema integrado para ações preventivas e também para acionar a polícia de forma mais rápida”, diz. “Sabemos que a UnB, com seus muitos carros estacionados e sem um controle rígido de acesso aos prédios, é um atrativo para os bandidos”.
Veja abaixo quais são as principais propostas dos dez candidatos para a área de segurança.
MÁRCIA ABRAHÃO – Chapa 80: O amanhã fazemos juntos
Quer intensificar as rondas nos locais mais movimentados da universidade, em especial no período noturno. Promete modernizar a estrutura, os equipamentos e os veículos utilizados pelos seguranças. Pretende fortalecer o Conselho Comunitário de Segurança da UnB e promover palestras, seminários e cursos para orientar a comunidade e capacitar os servidores envolvidos na proteção do patrimônio e no combate à violência.
MARIZ LUÍSA ORTIZ – Chapa 81: Gira UnB para uma nova gestão
Quer estabelecer parceria de planejamento e de ações com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Pretende melhorar o sistema de comunicação dos seguranças e criar grupo de trabalho ligado à reitoria, com a participação da comunidade acadêmica e de representantes do governo. Promete melhorar a iluminação no campus, instalar sistemas eletrônicos de vigilância e capacitar os trabalhadores da segurança.
JOÃO BATISTA – Chapa 82: UnB: Excelente e Solidária
Tem a intenção de debater com a comunidade a implantação de um batalhão universitário. Pretende consolidar o trabalho do Conselho Comunitário de Segurança e ampliar as parcerias com a Polícia Militar. Posiciona-se contrário à instalação de cercas e catracas. Afirma que vai combater os atos de intolerância nos campi e investir em câmeras e tecnologias capazes de melhorar o monitoramento do patrimônio da universidade.
ANA VALENTE – Chapa 83: Uma reitoria valente para honrar a UnB
A candidata pretende avaliar a adoção de medidas parecidas com as tomadas na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde foram instaladas cancelas e o acesso aos campi passou a ser feito com a apresentação de cartões de identificação. Propõe a execução de estratégias preventivas, a modernização das guaritas, a melhoria na iluminação dos campi e o uso de aparato tecnológico para monitorá-los.
DENISE BOMTEMPO – Chapa 84: Inovação e sustentabilidade
Pretende elaborar plano ampliado de segurança em parceria com a comunidade acadêmica e com os órgãos especializados do governo do Distrito Federal. Quer desvincular a Coordenadoria de Proteção ao Patrimônio da Prefeitura e transformá-la em Secretaria de Segurança. Promete melhorar a iluminação interna e externa dos campi, aprimorar o controle de acesso aos prédios e implantar brigadas de prevenção e combate a incêndios.
GUSTAVO LINS RIBEIRO – Chapa 85: Inova UnB
Pretende melhorar a iluminação dos estacionamentos e aumentar a presença da vigilância. Quer adquirir mais equipamentos de segurança, capacitar os servidores da área e melhorar o controle do fluxo de pessoas. Assume o compromisso de melhorar a Ouvidoria para tratar de forma adequada as denúncias de casos que envolvam homofobia, racismo, sexismo, assédio moral e sexual.
IVAN CAMARGO – Chapa 86: UnB Somos Nós
Pretende melhorar a iluminação nas vias do campus, otimizar o uso de câmeras de monitoramento, capacitar os servidores responsáveis pela segurança do patrimônio e conscientizar as pessoas que circulam nos campi. Quer restringir o acesso de pessoas estranhas à comunidade nos horários em que não há aulas. Pretende fortalecer as medidas do Conselho de Segurança e se aproximar dos órgãos de segurança do governo.
PAULO CÉSAR MARQUES – Chapa 87: UnB +50
Considera o problema da segurança complexo e aponta para a falta de socorristas e brigadistas especializados na UnB. Afirma que são necessárias políticas institucionais de enfrentamento. A chapa propõe a formulação da política de segurança pelo Conselho Comunitário de Segurança com a participação de especialistas e da comunidade acadêmica. Pretende aumentar a integração com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
SADI DAL ROSSO – Chapa 88: Construindo a unidade
Compromete-se a garantir a segurança nos campi sem militarização e fortalecer os conselhos internos de segurança. Pretende criar corredores iluminados de acesso até a Avenida L2 Norte, preparar a comunidade para a autodefesa e oferecer melhores condições de trabalho aos servidores da segurança. Vai avaliar experiências bem-sucedidas de outras universidades do país no combate à violência e no monitoramento do patrimônio.
VOLNEI GARRAFA – Chapa 89: Viver UnB
Quer integrar ações da comunidade acadêmica com as dos governos federal e local, para proteção das pessoas e do patrimônio. Pretende fazer convênio com a Companhia Energética de Brasília (CEB) para ampliar a iluminação da universidade, aprimorar o monitoramento do campus por meio de câmeras e estabelecer rondas preventivas periódicas. Propõe a instalação de cancelas para entrada e saída de veículos nos estacionamentos dos campi.
