Candidatos discutem propostas para extensão
Luciana Barreto
Da Secretaria de Comunicação da UnB
A interação com a sociedade é um dos grandes eixos que compõem o tripé institucional das universidades federais. Principal via para possibilitar esse diálogo, a extensão universitária é um dos pontos mais explorados nos programas de campanha dos candidatos que disputam os cargos de reitor e vice-reitor da Universidade de Brasília em consulta da comunidade acadêmica.
Com um orçamento anual que gira em torno de R$ 3 milhões, a UnB ampliou a oferta de bolsas, de professores envolvidos e de projetos institucionalizados na área de extensão. Enquanto em 2008 foram oferecidas 184 bolsas, em 2011 o número saltou para 500. No mesmo período, o contingente de professores dedicados aos projetos de ação contínua passou de 325 para 723.
Como consequência, aumentou a população beneficiada pelos programas. Hoje, são 9,7 mil pessoas em comunidades do Distrito Federal e Entorno. Em 2008, eram 2,2 mil. O número de projetos institucionalizados também cresceu: de 150, em 2008, para 266 no ano passado. Já o número de cursos diminuiu. Passou de 429 para 396. “Essa expansão se deve, em grande parte, ao aporte significativo de recursos do Reuni (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais)”, explica Oviromar Flores, decano de Extensão.
Além dos números, afirma o decano, desde 2011 a extensão na UnB passou a figurar na escala da progressão do professor e considerada como instrumento de avaliação docente. “Os professores agora se enxergam mais pautados para esse tipo de ação”, diz Oviromar.
Por outro lado, ainda há o que se avançar, como, por exemplo, na implementação da curricularização da extensão, prevista desde 2001. Significa a obrigatoriedade de que 10% da carga disciplinar das universidades seja de atividades extensionistas. “Isso está sendo implementado aos poucos, porque depende da reestruturação programática de cada curso, que está relacionada também ao reconhecimento, por parte das unidades acadêmicas, desta importante estratégia”, analisa o decano.
Segundo Oviromar, a atual administração da UnB tem priorizado a identificação das urgências sociais no Distrito Federal e na região do Entorno para induzir projetos de extensão que reforcem as políticas públicas existentes. Nessa perspectiva, o Decanato lançou duas resoluções e criou a Diretoria de Desenvolvimento e Integração Regional. “Assim, os pesquisadores, além de seus ganhos formativos, contribuem para a resolução dos problemas sociais”.
Octavio Henrique Torres, coordenador do Diretório Central de Estudantes (DCE), no entanto, reclama da infraestrutura disponível para os projetos. “A extensão não tem sido devidamente valorizada. Não há o apoio necessário, como materiais, infraestrutura e transporte, por exemplo, para o cumprimento e prosseguimento das atividades”, avalia. Ele reclama que há diversos casos em que os alunos não recebem os créditos por sua atividade. “Certamente isso desestimula, fazendo que desistam dessas ações em detrimento de outras frentes acadêmicas” afirma.
Leia a seguir as propostas de cada um dos dez candidatos para a área de extensão.
MÁRCIA ABRAHÃO – Chapa 80: O Amanhã fazemos juntos
O trabalho na extensão assume forte impacto no papel da universidade junto à sociedade, favorecendo a formação de profissionais com identidades solidárias. Como parte indissociável do exercício acadêmico, é fundamental viabilizar os meios para que a extensão repercuta positivamente nos projetos pedagógicos dos cursos de graduação e pós-graduação, bem como no desenvolvimento científico e tecnológico. Defendemos que compromisso social deve ser conjugado a excelência acadêmica. Além de valorizar as ações de extensão na graduação e nos critérios de progressão funcional docente, priorizaremos também a simplificação e agilidade nos processos institucionais ligados à extensão, como aprovação e renovação de projetos, programas e cursos e emissão de certificados. O aumento do fomento aos projetos de extensão e a criação de fóruns permanentes de discussão sobre a política de extensão da UnB também contribuirão para democratizar a gestão universitária.
MARIA LUISA ORTIZ ALVAREZ – Chapa 81: Gira UnB para uma nova gestão
Ao lado da minha vice, Maria de Fátima Makiuchi, com grande experiência no Decanato de Extensão, intensificaremos a articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Pretendemos ampliar essas atividades, identificando áreas ainda não cobertas por projetos e promovendo a captação de recursos para esse fim. Buscaremos formas de disponibilizar o passe estudantil junto ao GDF para atividades acadêmicas extracurriculares. Precisamos ainda regulamentar a prestação de serviços pela UnB, como consultorias, laudos técnicos, assistência de saúde e jurídica. Outro compromisso é o de ampliar o número de bolsas e fortalecer os núcleos de extensão em todo DF, na UnB Cerrado, em Alto Paraíso e no Projeto Rondon, com infraestrutura e logística que garantam a mobilidade e estada das equipes. Instituiremos também os “espaços de cidadania global” a partir de interlocuções com países da África e América Latina. É um eixo em consonância com um projeto de nação: ênfase social e respeito à diversidade.
JOÃO BATISTA – Chapa 82: UnB Excelente e Solidária
Para que uma universidade pública seja, de fato, democrática, multicultural e inclusiva, a orientação máxima é o comprometimento social. Gerar conhecimentos inovadores é transformar a sociedade e agir segundo o interesse público. Com meu vice, Wellington Almeida, ex-decano de Extensão, trabalharemos para integrar o DF e a sua região, ampliando o acesso da população à UnB, aumentando os intercâmbios e parcerias em todos os níveis. Para enfrentar um grande gargalo burocrático, implementaremos a certificação digital, já que a demanda nesse sentido é enorme. No espírito da Semana Universitária, instituiremos ainda o “UnB de Portas Abertas”, em que todos os departamentos, uma vez por semestre, receberam a comunidade com aulas, exposições, seminários. Também articularemos manifestações culturais da UnB com iniciativas de intercâmbio em nível nacional e internacional. Nessa linha, outra proposta nossa é a Semana das Artes da UnB, bem como a dinamização do FLAAC.
ANA VALENTE – Chapa 83: Uma Reitoria Valente para Honrar a UnB
Para exercitar a função social da UnB, tanto na democratização dos conhecimentos produzidos quanto no movimento de trazer para a comunidade acadêmica as reais demandas da sociedade, é necessário que o Decanato de Extensão amplie sua atuação. Avaliamos que o sistema de acompanhamento da extensão tem sido relegado a um segundo plano. Precisamos de critérios de excelência para selecionar alunos e definir cursos e eventos de extensão, bem como os cursos de formação continuada e os projetos de ação contínua. Outro ponto nosso é rever a efetividade das parcerias com as comunidades locais, ONGs e empresas. Atestamos também a necessidade de novas ações nas comunidades beneficiárias, além da inclusão de outras com demandas sociais importantes. Outro aspecto relevante é o estímulo e inserção dos professores nos cursos e projetos de extensão. Não menos importantes são as cooperações com instituições nacionais e internacionais para consolidar redes de trabalho.
DENISE BOMTEMPO – Chapa 84: Inovação e Sustentabilidade
Para a relação universidade-sociedade ser transformadora e efetiva as atividades de extensão precisam ocorrer de modo contínuo e progressivo. Ao lado do meu vice, Noraí Rocco, e de meus companheiros de chapa, temos defendido a extensão como uma via de mão dupla: tanto como valiosa instância nas atividades formativas e investigativas quanto essencial para a melhoria das condições de vida da população. Para tanto, estimularemos a participação do corpo docente, dos técnicos-administrativos e dos estudantes em programas e projetos de extensão. Nosso objetivo é que a extensão alcance caráter mais duradouro e continuado. Em nossa proposta, incentivamos a inclusão de créditos em atividades de extensão nos projetos político-pedagógicos dos cursos. É fundamental ainda regulamentar prestações de serviços, como treinamentos, assessorias, assistência jurídica e à saúde. Fortaleceremos ainda as atividades da Casa da América Latina e ampliaremos a Semana Universitária da UnB.
GUSTAVO LINS RIBEIRO – Chapa 85: Inova UnB
Consideramos a extensão como uma das realidades mais dinâmicas nas universidades federais, uma das principais formas de interação e integração com a sociedade. Sem dúvida, ampliar as atividades é um desafio fundamental a ser assumido e enfrentado. Nossa defesa irrestrita é a de que a UnB deve estar sempre de braços abertos para acolher projetos, programas, cursos e eventos de extensão. Assim, poderemos mostrar e fazer valer todo nosso esforço de pesquisa e ensino. Uma das metas de nossa gestão é a de ampliar e facilitar o acesso de professores, técnico-administrativos e estudantes aos projetos de extensão, fortalecidos pela legislação em vigor, o Plano Nacional de Educação e as diretrizes curriculares nacionais. Trabalharemos para buscar mais parcerias e convênios para a captação de recursos, abrangendo, desse modo, e segundo critérios, um número maior de projetos e de bolsistas.
IVAN CAMARGO – Chapa 86: UnB Somos Nós
No exercício da atividade acadêmica, todo programa ou projeto deve incluir atividades de extensão integradas ao ensino e à pesquisa. Precisamos, porém, desburocratizar os processos de adesão dos docentes e discentes, diminuindo e simplificando as exigências. Respeitar a diversidade de interesses dos pesquisadores é outro ponto fundamental, já que há acadêmicos vocacionados tanto para sala de aula quanto para pesquisa ou atividades junto às comunidades. Consideramos importantíssimo o incentivo à extensão passar pela progressão na carreira. São necessárias ainda novas iniciativas, como expandir as ações de interesse direto da comunidade, a partir de oficinas de ciência, arte e cultura e programas de visita guiada voltados a alunos de escolas do DF e Entorno, e desenvolver programas associados a Educação do Campo e à Casa da América Latina. Propomos ainda aumentar as relações de cooperação e complementaridade com programas governamentais.
PAULO CÉSAR MARQUES – Chapa 87: UnB + 50
Saberes e conhecimento se constroem a partir da transformação da realidade, induzindo responsabilidade social nos alunos desde o início da vida universitária. A extensão deve ser conduzida não apenas como prestação de serviços à comunidade, mas como forma de produção e transmissão de conhecimento. Extensão não pode mais ser encarada como o “patinho feio” do tripé institucional. É necessária profunda mudança cultural. Por isso, a importância dessas ações assumirem, na progressão funcional, o mesmo valor que os conteúdos tradicionalmente produzidos para a plataforma lattes. Em termos práticos, as condições logísticas e de infraestrutura devem ser asseguradas. Propomos contratos que viabilizem frotas suficientes para garantir mobilidade dos extensionistas mesmo fora dos tradicionais horários e dias de expediente. Defendemos ainda uma política clara: por que há, por exemplo, tantos módulos pagos para cidadãos comuns em uma universidade pública e gratuita?
SADI DAL ROSSO – Chapa 88: construindo a unidade
Para ser efetivamente pública, gratuita e de qualidade, a UnB deve estar envolvida com os interesses públicos, os trabalhadores e os movimentos sociais. É inadmissível que a extensão seja ainda entendida como “quebra-galho”, em detrimento do ensino e da pesquisa. Apoiaremos e ampliaremos as ações contínuas, os trabalhos com as comunidades e escolas públicas. Também priorizaremos os programas de divulgação científica, artística, cultural, intelectual e filosófica do que é produzido e debatido na Universidade, bem como o fortalecimento dos núcleos de extensão como estratégia para estreitar relações com a comunidade. Criar um fórum de grandes temas, com seminários voltados para o público do DF e região metropolitana, também é meta nossa. Mais que utilizar as comunidades como laboratórios, partimos da concepção de que estas devem ser diretamente contempladas com as ações de interesse público e social, além de parceiras na construção coletiva de saberes.
VOLNEI GARRAFA – Chapa 89: Viver UnB
Com grande experiência acumulada em extensão, já que fui decano na gestão de Cristovam Buarque, além de fundador e primeiro presidente do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, sinto-me mais que legitimado e comprometido com esse processo de transformação social que vem sendo conduzido pelas instituições de ensino superior. A extensão merece assumir um novo significado, deixando de ser uma função paralela e menor que a pesquisa e o ensino. Por isso, é essencial potencializar a relação das ações de extensão com as políticas públicas. Trabalharemos para que essas atividades sejam consolidadas nas estruturas curriculares dos cursos, bem como nos indicadores de avaliação e progressão dos docentes envolvidos. Também criaremos instrumentos de gestão e registro das atividades de extensão, além de linhas de financiamento público no orçamento da FUB com adequada divulgação e transparência.
Candidatos à Reitoria debatem desafios para o Ensino de Graduação na UnB

João Campos
Da Secretaria de Comunicação da UnB
A Universidade de Brasília dobrou de tamanho e em número de professores e alunos nos últimos cinco anos. Centralizada no campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte, desde a fundação, há 50 anos, a instituição criou unidades em três cidades do Distrito Federal de 2007 para cá: Planaltina, Gama e Ceilândia. Além disso, ampliou o número de vagas em cursos presenciais de graduação. Ao todo, são 8.428, o dobro do número ofertado em 2007.
A ampliação, que resulta de metas acordadas pelo Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), trouxe mais alunos à instituição. Hoje, eles somam 35 mil nos quatro campi. A oferta de cursos de pós-graduação também aumentou no período. Passou de 118 para 147 cursos, um incremento de 24%. O crescimento veio acompanhado de ações de assistência estudantil e acompanhamento do desempenho dos alunos, com, por exemplo, a criação do Programa de Tutoria para Disciplinas Iniciais das áreas de Matemática, Física e Química e do Programa de Bolsas Reuni.
Para suprir o aumento da demanda de ensino e pesquisa, foram contratados aproximadamente 1 mil professores em cinco anos, além de pelo menos 620 técnicos. As novas contratações elevaram o número de docentes para cerca de 2.300. Em 2007, eram aproximadamente 1.300.
Por outro lado, para acomodar os novos professores e estudantes, a Universidade iniciou uma série de obras. De 2007 até o final de 2011, a UnB ergueu quatro novos prédios e executou 28 reformas somente com recursos do Reuni, um investimento de R$ 80 milhões. Outras 43 construções e 13 reformas realizadas no período foram custeadas com recursos da própria Universidade, do Governo do Distrito Federal e outras fontes, como emendas parlamentares. Um investimento de R$ 160,2 milhões.
As necessidades que decorrem do crescimento, como destaque para a conclusão de obras em andamento, a construções de novos espaços, a contratação de mais professores e a manutenção da qualidade do ensino, são apontadas por especialistas e gestores da Universidade como o principal desafio do próximo reitor. “O Reuni foi maravilhoso para a UnB, mas a próxima gestão terá que adequar a Universidade à nova demanda com a construção de laboratórios e outras estruturas de auxílio ao ensino, a contratação de novos professores e o fortalecimento da assistência estudantil”, acredita o decano de Ensino de Graduação, professor José Américo Soares Garcia.
Para o professor da Faculdade de Educação e consultor do Comitê de Educação, Cultura e Tecnologia da Unesco, Célio da Cunha, o primeiro desafio a ser encarado pela próxima gestão passa pela qualidade do ensino oferecido na Universidade. Célio adverte sobre a queda da UnB em rankings sobre a educação, como o Quacquarelli Symonds Universities, em que a Universidade perdeu 14 posições em 2011. “Para recuperar essa perda é fundamental uma maior integração entre a graduação e pós-graduação. A excelência da primeira influencia a segunda”.
Célio ainda destaca a necessidade de uma revisão curricular na graduação como ferramenta para ampliar a qualidade no ensino. Para o especialista em Educação, o atual modelo de currículo pode estar mais próximo das demandas de conhecimentos. “A Ciência e a Tecnologia avançam em um ritmo sem precedentes e as demandas sociais sobre a Universidade também cresceram. A UnB deve incorporar essas novas questões ao que é debatido em sala de aula”.
A qualidade do ensino também preocupa o estudante de Ciência Política e coordenador do Diretório Central dos Estudantes, Mateus Lôbo. O jovem aponta como um dos desafio para a próxima gestão sistemas mais abrangentes de avaliação dos professores. “Há muitos professores ruins, pouco comprometidos com a educação que continuam no anonimato pela falta de uma avaliação real de suas atividades. Isso é péssimo para a UnB e caro para o Estado”.
Estes não são os únicos desafios. O crescimento também trouxe à Universidade mais alunos em situação de vulnerabilidade social. A lista de reivindicações do grupo, apresentada em manifestações na Reitoria nos últimos meses, inclui pontos como o aumento das bolsas moradia e permanência.
O auxílio aos estudantes também é destacado como um ponto emergencial pela diretora de Desenvolvimento Social do Decanato de Assuntos Comunitários, Maria Terezinha da Silva. Ela destaca que, com o Reuni, cresceu muito o número de estudantes atendidos pelos programas vinculados ao Decanato de Assuntos Comunitários, que hoje assiste cerca de 2 mil alunos. “O principal desafio para os próximos gestores é ampliar os recursos voltados para a Assistência Estudantil. O volume da verba deve acompanhar a demanda”, avalia.
A extensa lista de demandas do corpo discente e da comunidade acadêmica para a futura administração inclui ainda uma maior integração entre Ensino, Pesquisa e Extensão, um currículo mais flexível, melhorias no transporte e a reforma de estruturas obsoletas, como o Instituto de Artes – alvo de protestos estudantis no movimento Arruma o IdA – e a consolidação do sistema de cotas. Conheça abaixo a análise e propostas dos 10 candidatos a reitor para os desafios na área de Ensino de Graduação na UnB nos próximos quatro anos.
Márcia Abrahão – Chapa 80: O Amanhã Fazemos Juntos
Podemos falar com propriedade do ensino de graduação. Fui decana de Ensino de Graduação durante três anos e liderei a implantação do Reuni na UnB. Marcelo Bizerril, candidato a vice, implantou o novo campus da UnB em Planaltina e o dirigiu até agora. Diagnósticos revelam problemas estruturais, como a evasão e a retenção de estudantes na graduação. É fundamental aprimorar e ampliar a ação conjunta dos colegiados de cursos e da Administração Superior. O reconhecimento de talentos de técnicos-administrativos e docentes deve ser estimulado como ferramenta para a integração entre Administração, docentes, funcionários e estudantes. Outro gargalo é a morosidade dos processos institucionais. Um sistema de gestão acadêmica amigável e ágil, que confira maior autonomia às unidades e à comunidade e permita a obtenção de dados confiáveis precisa ser implantado. Outro ponto é estimular a melhoria da qualidade dos cursos, seu reconhecimento e avaliação adequados, e implantar o Projeto Político Pedagógico Institucional. O ensino à distância e sua plena institucionalização na UnB é outra prioridade que defendemos. Fundamental também é o reconhecimento da diversidade de estudantes que temos na UnB.
Maria Luisa Ortiz Alvarez – Chapa 81: Gira UnB para uma Nova Gestão
É preciso aprofundar as discussões sobre o projeto de expansão e o Reuni, em um debate com toda a a comunidade. Por meio do incentivo e apoio às iniciativas de reformas e atualizações curriculares dos cursos de graduação, pretendemos adequá-los à legislação nacional e à demanda da sociedade. Também queremos criar o Observatório dos Percursos Estudantis para o acompanhamento da trajetória acadêmica estudantil e sugerir medidas a serem adotadas; os fóruns de Ensino de Graduação, para discutir a política universitária de ensino e prover subsídios para o planejamento anual; e o de Discussão sobre o Acesso e Permanência dos Estudantes, para a discussão das formas de acesso à universidade, permanência com qualidade, convivência na diversidade no cotidiano acadêmico, acessibilidade, entre outras. Também vemos como um desafio o incentivo ao contato com os órgãos responsáveis pela Educação Básica no Distrito Federal, buscando uma maior integração. Valorizar e dar destaque à língua portuguesa, mostrando a sua dimensão e o seu multiculturalismo e ampliar o fomento de bolsas de pesquisa, de ensino, de extensão e de monitoria para os estudantes dos cursos à distância também fazem parte de nossas propostas.
João Batista – Chapa 82: UnB Excelente e Solidária
O processo de conhecimento é complexo e exige da universidade o papel de ensinar a dialogar com diferentes saberes. A universidade representa o lócus privilegiado da consolidação desse processo a partir da tríade ensino, pesquisa e extensão como princípios fundamentais para a consolidação de sujeitos críticos, criativos e inovadores. É fundamental levar em consideração a consolidação dos novos cursos e fortalecer a graduação como espaço permanente de construção de saberes diversos. Estabelecer um diálogo permanente entre a graduação e a pós-graduação, capaz de ampliar o conhecimento acadêmico de excelência e melhorar a integração, é outro desafio. Promover uma formação humanista, democrática e cidadã mediante a implementação do Projeto Pedagógico Institucional orientado por valores, práticas sociais e atitudes pautados em uma cultura de direitos humanos e em uma consciência de cidadania nos níveis cognitivo, social, político e ético. Integrar os projetos pedagógicos das unidades acadêmicas com o Projeto Pedagógico Institucional da UnB e acompanhar e apoiar a elaboração e revisão dos projetos pedagógicos das unidades acadêmicas, também fazem parte das ações necessárias para os próximos anos.
Ana Valente – Chapa 83: Uma Reitoria Valente para Honrar a UnB
Os alunos de graduação da UnB estão bastante apreensivos com os rumos institucionais. Reclamações das greves, da falta de manutenção da estrutura e de exercício prático da teoria aprendida em sala de aula são frequentes. Nesse último caso, oferecendo-se real valorização à extensão, equiparando-a ao ensino e à pesquisa, a prática poderá ser garantida. Nós temos atuado em atividades de extensão que articulam as duas outras dimensões do tripé institucional. Além disso, destacamos o aprimoramento do sistema de acompanhamento da graduação, baseado em indicadores legitimados pela comunidade acadêmica dos cursos presenciais e à distância. Também propomos melhorias no sistema de gestão de estágios, no programa de intercâmbio, no sistema de aproveitamento de créditos e no processo para a troca de curso e dupla habilitação. Os cursos do Reuni e à distância terão um acompanhamento mais próximo, sendo estabelecidas metas para alavancar os indicadores de todos os cursos. O sistema de acesso por cotas deve ter avaliações periódicas, de forma a aprimorar a metodologia atualmente utilizada e estabelecer metas para o término da utilização desta ação afirmativa/política compensatória pela UnB.
Denise Bomtempo – Chapa 84: Inovação e Sustentabilidade
Com relação ao ensino de graduação, será necessário fortalecer a missão institucional e a função social da UnB por meio da oferta de cursos de qualidade, adequados ao Projeto Político Pedagógico Institucional e às demandas da sociedade. A próxima gestão da UnB terá o desafio de buscar o equilíbrio entre a expansão da oferta de vagas no ensino de graduação e a qualidade da formação. Para tanto, será necessário avaliar o projeto de expansão de acesso ao ensino superior, visando realinhá-lo às condições de infraestrutura de salas de aula, de laboratórios, de salas para docentes, de espaços de convivência universitária, ao número de docentes e técnico-administrativos e, principalmente, investir na formação docente para garantir o ensino de qualidade. Propomos fomentar a integração do ensino de graduação com a pós-graduação, por meio do incentivo à participação do estudante de graduação em projetos de pesquisa, ensino e extensão. Outro aspecto relevante diz respeito à importância da revisão periódica dos projetos político-pedagógicos dos cursos de graduação, no sentido de promover reformas curriculares com propostas inovadoras de ensino-aprendizagem.
Gustavo Lins Ribeiro – Chapa 85: Inova UnB
O ensino de graduação é objetivo central da universidade e com maior impacto na sociedade, pois destina-se à formação de profissionais de alto nível, em sintonia com as necessidades do mundo, e capazes de atuar com espírito crítico, inovador e responsabilidade social. Hoje, a graduação não pode ser entendida separadamente da pós-graduação. Defendemos essa união orgânica típica da UnB e com impactos positivos na excelência acadêmica. Porém, é preciso manter o equilíbrio da participação dos professores em ambos os níveis, já que o crescimento da Universidade aumenta as demandas sobre os docentes, com impactos que podem ser prejudiciais à qualidade acadêmica. O Reuni foi uma iniciativa positiva ao aumentar o acesso à Universidade, mas é necessário diminuir as taxas de evasão e melhorar a qualidade das instalações e equipamentos. Outra questão crucial é a manutenção de uma boa proporção no número de alunos e professores. Achamos importante discutir uma reforma geral de currículos, que estão defasados e com pouca maleabilidade para os estudantes configurarem suas vocações. Também defendemos a ampliação da experiência de pesquisa na graduação, incrementando programas como o PIBIC e o PET.
Ivan Camargo – Chapa 86: UnB Somos Nós
A expansão dos cursos de Graduação promovida pelo Reuni foi uma verdadeira revolução no ensino superior público no Brasil. Foi o maior investimento nas universidades nos últimos trinta anos. Os recursos previam como contrapartida a oferta de novas vagas. Na UnB, além da expansão dos cursos e da infraestrutura do campus Darcy Ribeiro, as criações dos campi do Gama, da Ceilândia e de Planaltina representaram um avanço excepcional e a transformação destas cidades em pólos de desenvolvimento e inovação. O critério utilizado para a abertura dos novos cursos, no entanto, não atendeu aos anseios da população. Em vez de abrir novas vagas onde havia maior demanda, inverteu-se o processo. Esta inversão de valores faz com que um significativo número de novas vagas oferecidas no vestibular não seja ocupada. Neste processo de expansão é preciso garantir a qualidade. O esforço da nova gestão deve estar voltado para a consolidação destes novos cursos. Os professores recém contratados também merecem cuidado especial. A integração destes quadros aos programas de pós-graduação, além de incentivada, tem que ser financiada. Esta inserção depende de produção científica, que só será alcançada com condições adequadas de trabalho.
Paulo César Marques – Chapa 87: UnB + 50
Dois importantes marcos para o ensino de graduação nesses últimos anos – a expansão do número de cursos e vagas e a elaboração do Projeto Político-Pedagógico Institucional – precisam fazer parte de qualquer plano de ação da UnB, pois requerem medidas urgentes e estruturantes. Um conjunto dessas medidas diz respeito à consolidação da expansão com provimento de boas condições infraestruturais, como laboratórios e salas de aula em número suficiente e adequadamente equipadas. Outro tipo de ação é o incentivo ao desenvolvimento e adoção de métodos de ensino baseados no uso de tecnologia de informação, com produção de recursos educacionais para uso comum entre modalidades presencial e à distância. Também apresentaremos a proposta de programa de iniciação educacional, em moldes similares ao que representa o Programa de Iniciação Científica para a pesquisa. Não menos importante é a atenção que precisa ser dada à política de mobilidade intra e interinstitucional. Por exemplo, é grande a dificuldade de aproveitamento de disciplinas cursadas em outras instituições. Nossa gestão também trabalhará firmemente para elaborar políticas de mobilidade que aproveitem melhor os potenciais dos estudantes.
Sadi Dal Rosso – Chapa 88: Construindo a Unidade
O ensino de graduação na UnB merece ser revisto em vários aspectos. Deve tornar-se cada vez mais ativo e focalizado no estudante como sujeito. O ensino como transmissão de conhecimentos, em que o estudante é espectador, modelo ainda tão praticado em nossa universidade, precisa dar lugar ao ensino com base na produção do conhecimento, ativo, libertador, emancipatório, centrado na formação do estudante. Este tipo de ensino requer que pesquisa e extensão façam parte da prática cotidiana de formação. As unidades precisam participar mais da avaliação do acesso do estudante à UnB. Pretendemos avaliar tanto o PAS como o ENEM, adotando formas de ingresso que favoreçam os trabalhadores e os movimentos sociais, e criar condições de permanência para estes estudantes. A dotação de melhores condições permite rever, entre outras coisas, a duração do tempo presencial dedicado às aulas. Um bom ensino, tanto presencial quanto a distância, tem na formação do docente um ponto estratégico, sendo necessário um serviço contínuo de formação e de atualização didática para docentes. Os professores novos devem ser apoiados com salas, mesa, computador e condições de trabalho que permitam sua inserção na vida universitária.
Volnei Garrafa – Chapa 89: Viver UnB
Superar a fragmentação e as barreiras que persistem entre ensino, pesquisa e extensão é o grande desafio de uma universidade moderna, o que exige a criação e a organização gradativa de novas formas de produção de conhecimentos e de formação profissional. Sendo o objetivo da educação ajudar o estudante a se tornar um sujeito autônomo, capaz de iniciativas próprias e de assumir responsabilidades, a formação profissional deve despertar no aluno a capacidade de buscar informações técnicas, científicas e humanísticas relevantes e auxiliá-lo na aquisição de competências e habilidades do “saber-fazer” de sua escolha profissional. Propomos, dentre outras ações, a ampliação do quadro de técnicos e docentes necessários ao funcionamento dos cursos, a construção de trajetórias curriculares flexíveis, o acompanhamento tutorial do discente na execução curricular, visando a redução da retenção, trancamento, evasão e vagas ociosas. Também propomos apoiar a reestruturação curricular das atividades acadêmicas com ênfase na transdisciplinaridade e incentivar a modernização e utilização de tecnologias de informação e comunicação, como a implementação de redes wi-fi nos campi.
